quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Não Quero-Quero.

Eu queria ter a coragem dos que vieram antes no tempo. Queria dizer-lhe todas as coisas que penso, sem que a racionalidade atrapalhasse os sentimentos. Gostaria de declarar-te meu peito e, com efeito, o medo presente do momento. Declamar-te sonetos de filhos e netos e flores ao vento. Sentir a brisa e a chuva correrem no corpo inteiro. Mostrar-te o rosto, sedento do resto. Gesticulando em metros o que em palavras é incompleto. E em um momento modesto, sentir-lhe os cabelos, ondulando intrépidos. Dar a volta ao mundo contando absurdos severos. Repletos de nuvens de versos. Lapidar-te os diamantes de gelo. Roubados dos veios. E em impulso ligeiro, contemplar-lhe os mistérios, assim bem de perto. E se não fosse o 'te quero', não seria comigo mesmo austero. E se não fosse o 'não quero', seria um Eu mais completo.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Reflexo da procura de quem acha.


Era madrugada. Os corpos moviam-se frenéticos em encontro uns aos outros. No teto, estrelas falsas piscando em desespero. No ar, suor em cheiro. Largos sorrisos fúteis rasgavam o ambiente em tiras de superficialidades declaradas. No canto, um menino assustado. Assustado com a voracidade de um mundo recém-descoberto. Algo move-se em sua direção. Pessoas tocam-lhe a face, o corpo. Puxam-lhe a roupa e seus cabelos. Sussurram obcenidades, enquanto esfregam as mãos em seu peito. Não. Foge. Corre para outro canto, mais vazio, onde consegue observar a multidão. Pessoas amontoadas em um cubículo sonoro e pulsante. No canto também outra pessoa. Essa, comandando a orgia. Com grandes orelhas falsas e um olhar fixo em dois pequenos discos pretos que ligam-se com suas mãos. Movimentos fortes e ritmados em cima dos discos fazem a massa disforme de lascívia se mover. Olhar curioso em cima de tudo. No meio, três pessoas da terra, junto com três pessoas de outras terras. Conversas abafadas, mas perfeitamente não-entendidas. Não sabem se comunicar, ao menos, não verbalmente. Seis mãos em seis corpos. Seis corpos em seis mãos. Espaço curto de tempo-espaço. Saia curta e muito fácil. São seis na rua, seis fugitivos, seis vontades. São seis em fogo. A rua escura propicia mãos invisíveis de sensualidade sem ternura. Incomunicavelmente sexo. Ainda não. Local final de começo de noite. Quartos separados apenas pelo traço. Sons visivelmente misturados. Quem quer quem? Aquém, ninguém. Os pelos se tocam, sem se provar. Gemidos de vontade incontida em peito de cabelo. Animalesco. Toques afobados, afoitos. Amedrontado por saber de tanto. Quanto? Tanto. Coito. Morte da inocência, através da violência. A dor se traduz em visibilidade. Em luz. No ato, um menino perdido e sem tato. No pós, seis dividido em dois. Três pra cá. Três pra lá. Sem comunicação verbal. Sem ligação. Sem sentido. Sem. Era dia.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Não Pise na Grama

"Não pise na Grama". Era o que estava escrito na plaqueta, quando cheguei no parque. Sentei em um banco qualquer e fiquei aproveitando meu recém-comprado lanche de mortadela. Enquanto dava mordidelas em meu saboroso lanche sabor mortadela, comecei a falar pausadamente a frase da grama, aquela que fala para não pisar nela. Nela, a Grama. Enquanto dividia as palavras com o lanche, ou o contrário disso, percebi o movimento que as graminhas da Grama faziam quando os sopros de Vento batiam-lhes as faces. Algo bonito de ver, todas elas se movimentando em conjunto. Todas verdinhas e apontando para o céu, achando-se o máximo por poder balançar de um lado à outro com a proteção do governo de que ninguém pisaria-lhes o corpo. Estavam tranquilas. Quando dei por mim, só restava um pedaço de alumínio em minha mão, que educadamente joguei em uma lata de lixo. Lata que provavelmente iria ser jogada um dia com todo o lixo acumulado que pensamos estar reciclando ao jogar em uma lata de lixo qualquer. O Lixo não some, nada some. Olhei novamente para as graminhas e decidi vê-las de perto, pois havia um quê de convite em seus movimentos. Levantei-me do banco, tomando cuidado com um ciclista desavisado, que insistia em olhar a parte traseira de alguma moçoila que também insistia em usar lycra, mesmo sabendo o quanto isso provoca acidentes por todo o Globo. Segui em direção ao gramado e ultrapassei a cerquinha do aviso mortal que dizia "Não Pise na Grama". Tarde demais, havia pisado. De alguma forma, pensei que sentiria alguma coisa, mas acabei por não sentir nada. Talvez fossem os sapatos, que nos separam grandemente do contato com a Terra, a terra. Descalcei-os e fiquei mexendo os dedinhos na grama, tal qual você faz quando toca a areia da praia com os pés. Estava eu mexendo dedinhos no grande mar verde que se prolongava até onde a mente tem vontade de lembrar. Estava eu sobre o mar, andando no mar. Sentei na Grama e brinquei com as graminhas. Deitei-me na Grama e as graminhas brincaram comigo. Fiz anjinho de Grama e descobri que não é nada igual a fazer anjinho de neve. As graminhas não gostam dos anjos. Tampouco dos demônios, creio. Olhei o céu e pensei ver uma nuvem em forma de Grama, mas era apenas uma graminha em meu óculos, fazendo-me rir. Ri até ficar sonolento. Adormeci no mar, velejando no verde das nuvens do sono. Viajei por lugares que não lembro, mas que me fizeram acordar com um sorriso no rosto. Acordei também com ela ao lado, deitada sobre mim. Aninhada em meu peito. Quem era? Quem era? Não queria acordá-la. Apesar de ser uma total estranha, não se acorda pessoas aninhadas em você desta forma. Seja educado, já dizia minha Mãe. Tentei mirá-la de soslaio, pois também aprendi a não encarar as pessoas. Isso foi meu Pai que ensinou. Mas acabei por encará-la descaradamente. Nunca obedeci meu Pai. Olhei seu cabelo dançando em meu corpo, ondulando sobre mim. Admirava cada detalhe de seu rosto. Uma sobrancelha que seguia o caminho de seu rosto, à encontrar o começo do nariz, que tinha um formato de bolinha, nariz de criança. Não vi muito dos olhos, pois estavam cerrados, mas batia-me mais forte o peito cada vez que pensava no momento do despertar. Sua boca entreaberta fazia-me lembrar dos morangos com creme de leite da infância, quando minha vó fazia sobremesa. Era delineada e possuía aqueles levantadinhos nos cantos, como se fosse esboçar um sorriso a qualquer momento. Algumas pintinhas aqui e acolá e uma pele muito bonita. Há quanto tempo estava observando-a? Mexi com as graminhas com a mão direita, enquanto afagava seu cabelo com a mão direita. Estranhamente, a sensação era a mesma. Era o mesmo mar de verde em minhas mãos, em meu corpo. Olhei para o céu, vi nuvens em forma de menina e de graminha, fundiam-se enquanto lentamente fechava meus olhos. Adormeçi sentindo o quente de seu corpo. Despertei. Já não há menina, apenas graminhas em ambas as mãos. O que aconteceu? Um sonho? Pesadelo? Pesadelo não, pois eu muito gostei. Sonho. Tão real, seus cabelos em meu verde mar. Levanto-me aturdido do que acontecera. Saio do gramado e calço os tênis. Leio na placa "Não pise na Grama" e entendo o significado de uma forma diferente. "Não pise na Menina", leio eu. Sento no banco, penso alguns minutos. Imagino seu calor em meu corpo. Ainda que imaginário, é bom. Levanto-me e sigo o caminho de casa, mas não sem antes retirar o Alumínio do Lixo que irá pro lixo. Guardo-o. No Parque, o mesmo ciclista machuca o joelho ao dar com uma árvore. No Parque, a mesma moçoila ajudando o ciclista machucado. O som de um navio e a luz de um farol. No Parque, a mesma plaqueta. "Não pise na Grama".

Da Série Não-Palito (4)


Eu sempre gostei do Leôncio. Acho-o divertidíssimo com seu bigode e seu jeito de falar.
Além disso, sempre achei-o simpático.

Obs: Eu sei que a frase não foi dele, mas eu sempre falo isso quando falo dele.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Tornando-me Peter


A gente vive a vida constantemente esquecendo as coisas que não deveríamos esquecer. E vivemos relembrando-as, em um eterno ciclo de prazeres e desprazeres.
Eu tive o imenso desprazer de esquecer como se voava e estava muitíssimo cabisbaixo por causa disso. Sabe, não é todo dia que você esquece de voar, pra sempre, não é mesmo? Eu merecia estar triste.
Sabe-se lá qual foi o motivo de ter estalado algo dentro de mim e eu começar a sentir saudade de tudo que já não tinha mais, como um pedaço de diamante, que em algum lugar alguém catalogou e eu adotei novamente, pois é isso que você faz com pequenos pedaços de diamante, você adota.
Adotei o pedaço de diamante e isso foi o suficiente para me lembrar de tanta coisa gostosa que parecia que eu nunca tinha experimentado antes.
Em meio aos pensamentos nostalgicos e ao mesmo tempo novos, eu comecei a sentir um comichão no estômago, como se houvessem diversas borboletas querendo romper pelo ventre, em caminho da liberdade. Entre risos e mais risos fui ficando mais leve, muitíssimo mais leve. Quando dei por mim, estava lá eu, em meio a um quarto todo desenhado, flutuando bem acima do chão e tomando cuidado para não estragar o ventilador de teto.
Aos poucos voltei a controlar o que eram meus pés e consegui pousar, em segurança, no mundo real. Quando sentirei isso novamente? Saudades. Saudades Absurdas.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Em Cartaz: Ataque da Abelha Assassina


Ontem fui na casa de uma amiga e fui monstruosamente e impiedosamente picado por uma maligna abelha destruidora de lares.
Morte às abelhas malignas destruidoras de lares.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Esmigalhando


Sabe quando você gosta tanto de uma pessoa que quer esmagar ela? Mesmo ela não querendo ser esmagada?

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

terça-feira, 6 de janeiro de 2009